Grande parte das viagens que eu
fiz aconteceram na Europa que desde sempre eu queria conhecer, foi pra isso que
eu mudei pra Lisboa em 2002.
Acho que é quase impossível uma
viagem acontecer totalmente conforme o que estava previsto mas viajar pela
Europa acaba por ser fácil, já que (quase) tudo é organizado, as pessoas, na
maioria dos países, falam inglês, mesmo quando não é a língua natural, e as
cidades são muito turísticas, muito visitadas e consequentemente preparadas pro
turismo.
Já tive diversos problemas em
viagem, o que é normal, e muitas vezes acaba até por ser divertido as roubadas
que acontecem, mas a viagem mais complicada que eu já fiz até agora
definitivamente foi quando eu decidi sair do eixo europeu e fui pra Israel e
pro Egito; mas foi uma das mais legais também!
Sempre que eu posso tento
escolher a melhor época do ano pra viajar pros países que visito; nessa decisão
entram vários fatores mas pra mim o clima é um muito importante e os países do Oriente
Médio tem a sua temporada alta no forte do verão, mas lá “forte do verão”
significa temperaturas de 50°C, é muito calor!
Inicialmente eu tinha decidido
tirar férias em Abril já que minhas pesquisas davam como o melhor mês pra ir
pra lá, não era alta temporada, não teria um fluxo de turistas muito forte e as
temperaturas eram amenas, nem frio, nem calor demais.
Meu patrão da época, italiano,
malandro, sabendo que em Abril começa a ter mais trabalho em Lisboa me diz:
“Abril não pode, vai em Março, o Egito é bom em Março”, até parecia que ele era
um expert em Egito… Mas fazer o que? Assim ficava decidido o mês das minhas
férias.
A minha idéia inicial era ir pro
Egito, Jordânia, Síria, Líbano e Israel nessa ordem. Israel estava
estrategicamente no fim da viagem porque, não sei se você sabe, mas a Síria e o
Líbano não permitem a entrada de quem tenha qualquer indício de passagem por
Israel.
Então foi assim que eu programei
tudo, iria sair de Lisboa, onde eu morava nessa época, e na parte aérea entraria
por Hurghada (Egito) e sairia por Tel Aviv (Israel), o restante da viagem seria
todo feito por terra.
Comprei as passagens de avião e
logo depois já começaram os primeiros problemas: Uns dias depois que eu comprei
a passagem estorou uma revolta na Tunísia, o que viria a ser o começo de uma
série histórica de revoluções populares no Oriente Médio, que derrubou os
ditadores da Tunísia e Egito, acabou com a morte do também ditador da Líbia e
no momento que escrevo a Síria ainda sofre com uma sangrenta revolução que
também pretende derrubar o governo. Naquela mesma época a Jordânia também
passou por turbulências mas a situação logo acalmou, e assim se mantém, pelo
menos por enquanto.
Quem me informou dos problemas na
Tunísia foi meu patrão quando, com as passagens compradas, fui confirmar minhas
férias com ele. Ainda me lembro que pensei comigo, “ok, eu não vou pra Tunísia,
então não tem problema”, mas o êxito dos Tunisianos em derrubar o governo
acabou por “inspirar” o povo egípcio a também se rebelar contra uma ditadura
que já durava 30 anos! E eu com tudo já planejado! E super empolgado por
finalmente estar indo pra lá; não comentei ainda mas uma das minhas viagens de
sonho era conhecer o Egito, com toda a sua história, cultura e, claro, as
Pirâmides…
Mas já que na Tunísia a queda do
governo acalmou o país instantaneamente, eu ficava torcendo pra que a situação
no Egito se resolvesse logo e me recusava a cancelar a viagem, apesar dos
conselhos dos amigos e colegas de trabalho e dos pedidos (quase) desesperados
da família.
Uma certa noite, depois do
trabalho, vejo no meu e-mail uma mensagem da Easyjet, a companhia aérea que eu
tinha comprado as passagens, simplesmente cancelando o trecho pro Egito em
virtude da instabilidade do país naquele momento, ou seja, pra alívio de todos
e pra minha frustração, eu não iria mais pra lá e as Pirâmides se tornavam um
sonho distante.
Como consequência disso, outro
problema; eu teria que entrar por Israel, já que as outras passagens aéreas com
saída de Lisboa eram muito caras.
Lembram que a Síria e o Líbano
não permitem a entrada de turistas que tenham antes passado por Israel? Pois é,
na verdade essa informação está incompleta; Israel, sabendo dessa situação, as
vezes emite o visto numa folha a parte e portanto quando a gente deixa o país
pode simplesmente jogar esse visto fora (ou esconder bem), não restando nenhum
indício de que passamos por lá. Mas essas informações não eram muito precisas
na internet e depois de muitas pesquisas cheguei a conclusão que realmente
existia esse procedimento mas não era possível ter a certeza que meu passaporte
não fosse carimbado e eu ficasse impedido de visitar a Síria e o Líbano.
Eu teria que arriscar, e assim
foi… Por imposição da Easyjet mudei minha passagem de ida do Egito pra Israel.
Dessa forma a ida e a volta seriam por Tel Aviv, seguindo depois pra Jordânia,
Síria e Líbano.
Bye, bye Egito!
Junto com essa confusão toda um
motivo pessoal, e que por ser pessoal não será tratado aqui, me fez decidir que
as minhas férias que estavam programadas pra ser 35 dias pelo Oriente Médio agora
seriam só 15, os outros 20 dias eu estaria no Brasil. E com isso mais uma
alteração em planos, rotas e passagens!
E a quase certeza de que não haveria
tempo pra fazer todos os países que eu havia programado.
Você está confuso? Que bom, se
você está se sentindo confuso só de ler esse relato imagina eu vivendo e
resolvendo essas situações que foram surgindo uma atrás da outra. Mas relaxa,
se está confuso é porque está entendendo. É essa mesmo a sensação que eu quero
passar…
Continuando… Quando viajo em
baixa temporada prefiro não fazer reserva dos lugares onde vou dormir, já que o
fluxo de turistas é baixo e assim posso ficar mais dias ou menos dias nas
cidades por onde passo conforme o meu interesse, sem ficar preso a reservas
pré-agendadas. Outro hábito que eu criei foi não levar dinheiro dos países que
eu visito, chegando lá vou num caixa eletrônico e saco diretamente na moeda do
país evitando despesas de câmbio desnecessárias. Mas em Israel esse meu sistema
de viajar me trouxe mais um grande problema.
Mas como esse post já vai ficando
um pouco longo vou continuar num próximo ok?
Mas se você leu até aqui já
reparou que nesse ponto cheguei em Israel certo? Na verdade estou no Aeroporto
Internacional Ben Gurion em Tel Aviv pedindo autorização para entrar em Israel
e os oficiais de imigração irão se mostrar nada amigáveis.
Se quiser saber como essa viagem
continua volte dentro de alguns dias pra parte 2 da minha ida à Israel e Egito.
E pra quem está se perguntando,
“mas ele não tinha cancelado a viagem pro Egito?”, “e onde entra a Suíça nisso
tudo?”. Pois é, tem muito ainda pra contar… Até breve!

