segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Viajar é preciso, perder a mala não!

Olá pessoal, como alguns de vocês já sabem, o Morando na Mochila está na estrada de novo e eu quero compartilhar algumas coisas aqui.

Antes de mais nada queria dizer que estou devendo as fotos da última viagem aos Países Bálticos e Finlânia e o motivo é que quase emendei duas viagens em seguida, aquela e essa que está acontecendo agora, então com todos os preparativos dessa segunda viagem faltou tempo pra organizar e postar as fotos da viagem anterior.

Dentro do possível vou tentar postar as fotos da viagem atual enquanto estiver na estrada. Os Países Bálticos vão ter que esperar um pouquinho... Sorry, Lituânia, Letônia e Estônia (e Helsinki).

Não sabe onde estamos agora? Bom, semana passada estive em Dublin, Irlanda e Belfast, Irlanda do Norte. Super "crazy busy days" só pra você ter uma ideia na quinta eu ainda estava em Dublin, sexta em Belfast, sábado voltei à Londres pra assistir um show (Roger Waters - The Wall) e domingo estava na Romênia, foram 4 países diferentes em 4 dias!

Nesse momento escrevo da Transilvânia, Romênia e a viagem segue pela Bulgária e Grécia, se você quiser visualizar um mapa com o roteiro é só clicar aqui e o mapa da viagem ao Báltico aqui.

Outra coisa surreal foi que chegando na Romênia, passei a imigração e fui esperar minha mala; a esteira começou a rolar, as malas começaram a vir, as pessoas começaram a retirar suas bagagens e ir embora, então a esteira começou a esvaziar, até que esvaziou, todo mundo foi embora e a esteira parou. Então foi a hora de eu começar; a ficar desesperado! Cadê minha mala?!?

Falei com um funcionário do aeroporto que estava ali e ele me disse que se a esteira parou é porque já não tem mais malas, então "where is my bag??" Resposta: Não há nada que eu possa fazer, você tem que ir aos "achados e perdidos" do aeroporto e reclamar lá.

Bom fui lá, reclamei e eles disseram que eu tinha que esperar que alguém viria falar comigo, estava tudo muito estranho porque nem o primeiro funcionário, nem o cara do "lost and found" se mostravam surpresos com tudo aquilo, então depois de uns 15 minutos veio um funcionário da cia aérea (WizzAir) e eu entendi o porque, a primeira coisa que ele me disse foi que a cada 3 vôos da WizzAir, pelo menos uma mala é perdida! (Lembro de ter pensado que se eu fosse funcionário da empresa, com certeza não compartilharia essa informação).

O que ele me disse é que uma de duas coisas poderia ter acontecido: A mala teria sido enviada em outro vôo, pra outro país ou ter ficado em Londres, de onde eu vim. O procedimento era preencher um formulário com os meus dados e do meu vôo e ele tentaria localizar a mala o mais breve possível, caso contrário, se a mala não fosse encontrada, depois de 21 dias(!!) eu seria ressarcido. Legal, eu tinha 20 dias de viagem pela frente e seria ressarcido no vigésimo primeiro... Na minha bagagem de mão eu só tinha os eletrônicos (câmera, kindle e notebook) e tinha a "roupa do corpo".

Felizmente a situação acima era a pior hipótese, no meu caso o problema aconteceu ontem, no Domingo e hoje, Segunda, eles entregaram minha mala no meu hostel em Sibiu, uma linda cidade medieval aqui na Transilvânia onde eu estou agora escrevendo esse post e essa confusão toda acabou da melhor maneira possível. Quando minha mala foi entregue estava aqui no hostel uma australiana que teve o mesmo problema, também com a WizzAir num vôo Barcelona-Bucareste e me disse que a mala dela foi entregue depois de duas semanas!! Agora ela tem duas malas porque teve que comprar outra pra poder seguir viagem, além de roupas, toalha e tudo mais!

Tomando o caso dela como exemplo vejo que até tive sorte, principalmente porque no meu caso eu viajei pra Romênia mas a minha mala não, encontraram ela em Londres e enviaram um dia depois, provavelmente no caso dela a mala foi enviada pra outro destino o que tornou tudo mais difícil já que eles tiveram que descobrir onde a mala estava pra só então entregar pra ela.

Pra terminar queria deixar aqui o meu agradecimento a um rapaz chamado Boti, do hostel onde eu dormi a primeira noite na Romênia, em Sighisoara, quando ainda não tinha minha mala (e nem sabia quando teria) e que fez de tudo pra me ajudar quando soube do meu problema, me emprestou toalha, seu celular pessoal, me deu seu numero pra "qualquer coisa que eu precisasse" e no fim quando eu tentei dar uma gorjeta pra ele, recusou sem nem olhar pro dinheiro, quando eu insisti me disse "estou te ajudando, mas não pelo dinheiro". Escrevi um post...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Munique

Dois vídeos feitos na Alemanha, em Munique e em Dachau

Neve em Munique


Eisbach - Surfistas de Munique


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Outras Viagens: Israel e Egito – Parte 3 e Suíça


Já não era sem tempo de finalizar os posts sobre a minha viagem à Israel, Palestina, Egito e Suíça que eu comecei a contar em abril desse ano. Esta é a terceira e última parte sobre essa viagem; pra quem não leu os posts anteriores, eles podem ser encontrados AQUI e AQUI.
Então, o capítulo final dessa trilogia…

Se você olhar no mapa aí ao lado, no sul de Israel tem uma cidade chamada Eilat e muito próximas dali ficam Taba (que não aparece no mapa), no Egito e Aqaba, na Jordânia, portanto uma tríplice fronteira.
Eu e o Alexandre, que conheci em Jerusalém, partimos de lá de ônibus até Eilat pra solicitar o visto de entrada no Egito, se você leu os textos anteriores já sabe que visitei estes países logo após um período conturbado no Oriente Médio, se bem que, sejamos francos, períodos tranquilos são raros por aqueles lados, mas enfim, um período mais conturbado que o normal e que culminou, entre outras coisas, com a queda do Presidente do Egito, Hosni Mubarak.
Em função disso e da instabilidade no Egito naquele momento, não era possível ter a certeza de que nós seríamos autorizados a entrar. Caso o visto fosse negado, o “Plano B” era ir para a Jordânia, visitar Petra; nada mau mas como eu também já comentei, o Egito e as Pirâmides sempre foram pra mim um daqueles destinos pra chamar de “A Viagem”. O outro é a Rússia que, infelizmente, ainda espera a vez.
Chegando em Eilat, uma coisa inusitada, saímos da rodoviária, era noite, e como não tínhamos lugar pra ficar, começamos a caminhar pela pequena cidade procurando, quando passado uns 5 minutos me dei conta que não tínhamos recolhido nossas bagagens no bagageiro do ônibus! Voltamos correndo pra rodoviária pra encontrar o motorista olhando com cara de quem não tava entendendo nada pra minha mochila e para as coisas do Ale! Mas tava tudo lá, intacto.

Eilat
Refeitos do susto, encontramos um hostel e no dia a seguir fomos logo cedo ao Consulado do Egito e de toda a confusão dessa viagem até que obter o visto não foi tão difícil, o único senão foi que, conforme o funcionário nos disse, a comunicação com o Cairo estava complicada naquele momento e o visto estava levando 24 horas para ser emitido, o que nos deixou com o resto do dia todo pra conhecer Eilat.
Eilat é uma cidade resort, com um aeroporto bem no meio, entre as praias e o centro, é estranho porque você vem do seu hotel ou onde quer que esteja ficando e tem que fazer a volta no aeroporto pra alcançar a praia, mas tudo bem, pra quem gosta de lugares tranquilos e aproveitar o mar é um lugar legal. À noite, conhecemos duas alemãs, a Janka e a Doris, na verdade, conhecemos melhor, porque no dia que estávamos deixando o Petra Hostel, em Jerusalém, elas estavam na recepção; falamos um pouquinho lá mas tínhamos que ir, nem descobri que elas viriam à Eilat um dia depois da gente e por coincidência ficaram, de novo, no mesmo hostel. Elas estavam em Eilat com destino à Jordânia, já que o Egito era “impossível de visitar naquele momento”, afinal não era bem assim…
No dia a seguir, depois de ter dormido muito pouco, voltamos ao Consulado ainda com a incerteza se obteríamos a autorização pra entrar no Egito mas chegando lá os nossos passaportes estavam prontos! Estávamos finalmente liberados rumo ao Cairo!

Cruzando o deserto de Taba ao Cairo
Cruzamos a fronteira entre Eilat e Taba e fomos pra rodoviária mas o ônibus pro Cairo iria demorar 3 horas pra sair, foi quando apareceu o Hassam, um motorista egípcio que tinha uma caminhonete e nos ofereceu “carona”. Depois de uma longa negociação, onde a cada negativa nossa ele baixava o preço, decidimos ir com ele e foi outra parte legal da viagem. No começo ficamos meio com receio porque afinal estaríamos cruzando o deserto, numa viagem longa, com pessoas estranhas, mas no fim o Hassam se tornou mais um amigo e apesar de ele falar inglês muito mal, nos entendemos muito bem. Engraçado que ele queria trocar tudo que era nosso por outras coisas dele, tentou a minha câmera por um celular velho e ofereceu os óculos de sol dele pelo Ray Ban do Ale, dizia que era “good quality” e o Alexandre nem precisava dar nenhuma volta pra ele, era “toma lá, dá cá”… A viagem durou um dia inteiro, saímos de Taba antes do almoço e chegamos no Cairo à noite, o caminho era uma estrada no meio do deserto, no meio do nada, mas toda a mudança da luz ao longo do dia, até a hora do pôr do sol no deserto eu nunca mais vou esquecer.
Chegando no Cairo o Hassam instruiu em árabe um outro rapaz a nos levar até a estação de metrô mais próxima, dali fomos ao centro procurar hostel pra ficar.

As Pirâmides de Gizé
Já instalados conhecemos o Andreas, um alemão e o Zheng, um chinês e combinamos de visitar as Pirâmides todos juntos logo cedo no outro dia. E assim foi, queríamos chegar até Gizé, onde ficam as Pirâmides utilizando o transporte público, ao invés de pagar os preços absurdos que eles cobram do turista pra uma viagem do Cairo até lá. Confesso que dessa vez não estava muito bem preparado, já que durante o planejamento todo dessa viagem o Egito havia sido excluído do roteiro, como já contei nos textos anteriores, mas o Andy tinha muita informação e acabou por ser fácil chegar até lá com ele.
E então é isso! Finalmente eu estava em um dos lugares que desde sempre quis visitar, uma das sete maravilhas do mundo antigo, aliás a mais antiga delas e a única que ainda existe, fotos nunca conseguem ser melhores que os lugares vistos ao vivo, e realmente nenhuma foto que eu havia visto antes conseguiu expressar a beleza e a intensidade daquele lugar.
A visita às Pirâmides se dá por um caminho em que você vai fazendo a volta a elas até alcançar a esfinge, então inevitavelmente você vê as Pirâmides por todos os ângulos possíveis, um melhor que o outro, confesso que depois de todos os problemas dessa viagem, ao chegar lá até me afastei um pouco dos outros, de tão emocionado que eu estava.

Eu, Andreas, Zheng e Alexandre
Depois da caminhada até a esfinge, decidimos ir deserto adentro em direção à um morro distante em busca de uma foto com as 3 Pirâmides principais juntas, chegando lá encontramos um grupo de policiais descansando e depois de um pouco de conversa até andamos no camelo deles, ou seja, andamos na viatura da polícia; ao voltar entramos na Pirâmide maior, a Quéops e ao sair senti que meus amigos estavam meio acelerados demais já quase tomando o caminho da saída e acabei por os convencer a sentar na entrada da Pirâmide e curtir um pouco mais aquele lugar, provavelmente nunca mais voltaríamos alí. Acabamos ficando quase uma hora sentados na Pirâmide, conversando, vendo as pessoas passearem de camelo e muitas famílias de egípcios, as mulheres com suas burcas, fazendo pic-nic e tão deslumbrados quanto qualquer um de nós.
Ao voltar para o Cairo, saímos do metrô na Praça Tahrir, bem no centro da cidade e próximo ao nosso hostel. A Praça Tahrir foi o local onde aconteceram as manifestações que derrubaram o governo e naquele dia acontecia uma comemoração pela vitória na revolução. Comemos algo muito rápido e eu e o Alexandre só falávamos em ir pro meio da festa, já o Andy e o Zheng não nos acompanhariam porque diziam que era perigoso, afinal poucos meses atrás muitas pessoas perderam a vida exatamente nessa mesma praça (o Presidente Mubarak, depois de deposto, foi julgado e condenado à prisão perpétua pela morte de 850 manifestantes durante os protestos). No fim não teve nada de perigoso, afinal ao longo da revolução até mesmo o exército se voltou contra o Presidente, ninguém mais aguentava a situação de corrupção e miséria vivida pelo povo egípcio depois de 30 anos de ditadura, foi uma festa fantástica e eu trabalhando como garçom na Europa já tive a oportunidade de atender alguns egípcios depois disso e ao comentar que visitei o Egito logo após a revolução e que participei de uma das festas da comemoração na Praça Tahrir, sempre faz eles me olharem de outra forma e causa uma empatia imediata entre a gente!

No meio da festa, aconteceu uma coisa que começou por ser complicada mas acabou mais do que bem; eu estava fazendo um monte de fotos, quando vi uma menina em cima de um tonel de lata, enrolada numa bandeira do Egito, quando me preparava pra bater essa foto fui interpelado por um rapaz com cara de poucos amigos reclamando que eu estava tirando foto sem permissão, no que ele tinha toda razão, pedi mil desculpas mas ele ainda continuava bastante chateado e me perguntou porque eu estava tirando fotos, se eu era jornalista? Respondi que não, que era um turista brasileiro (ser brasileiro sempre ajuda nessas situações já que todo o mundo parece nutrir um carinho especial pelo nosso país) e que estava muito contente por visitar o Egito naquele momento histórico e só achei que uma menina jovem enrolada na bandeira do país era uma bonita foto e um símbolo de renovação e de um futuro melhor que estaria por vir. Não sei se foi o fato de ser brasileiro ou se foi a minha argumentação mas ele mudou completamente a partir dali, começou a me contar como foram os meses de revolução e como todos estavam contentes e realmente esparançosos de que um novo Egito, muito mais justo, nascia após a “Revolução do Povo”, como ele chamou. Então me disse que ele iria subir no tonel e que eu poderia fazer a foto dele e “da mulher dele” juntos, se eu quisesse. A foto é essa aí ao lado!
No dia a seguir fomos visitar o Khan el Khalili, o Souq (mercado) do Cairo, muito legal é um lugar onde você encontra tudo o que pode imaginar e lá me senti uma celebridade; estava perguntando preços de souvenirs pra comprar pra família e amigos, quando um monte de meninas se aproximaram e começaram a conversar num inglês muito bom, talvez o melhor inglês que ouvi no Cairo, depois de um tempo elas começaram a pedir pra tirar foto comigo usando seus celulares, uma a uma, todas tiraram foto e no fim eu disse ok! Agora eu quero uma foto de vocês e depois uma foto com todas vocês, foi engraçado!


No mais, não posso deixar de comentar a visita ao Museu do Cairo, infelizmente é mais um desses lugares onde não é permitido tirar fotos do interior, lá eles inclusive retém a câmera fotográfica durante o período que você está visitando o museu.
Você já deve ter ouvido falar de Tutankhamon, certo? Ele foi um faraó do Egito e é muito famoso, mas talvez o que você não saiba é que ele é famoso não por ter sido um grande faraó e sim porque a tumba dele foi encontrada intacta em Luxor e todo o espólio foi transferido para o Museu do Cairo, sem dúvida nenhuma é a parte mais impressionante do museu que também conserva múmias de outros faraós importantes e tesouros egípcios diversos, e eu acho que é inaceitável visitar o Cairo e não ir a esse museu.
Por falar em Luxor esse foi o nosso próximo destino, compramos um bilhete de trem noturno Cairo-Luxor e na minha última noite no hostel no Cairo ainda fiz mais uma alteração no roteiro dessa viagem. Eu deveria voltar à Tel Aviv, em Israel, pra pegar o avião que me levaria de volta à Lisboa onde morava na época dessa viagem mas não tinha mais tempo pra isso, então mudei o retorno para um outro bilhete partindo de Sharm el Sheik, a última cidade que eu visitaria no Egito.

Luxor e o Rio Nilo

Luxor é uma pequena cidade próxima do Vale dos Reis, onde vários faraós construíram suas câmaras mortuárias. Nos arredores da cidade ficam também os Templos de Karnak e de Hatshepsut, que visitamos.
No hostel de Luxor, conhecemos o Charles, um francês que estava fazendo uma mini volta ao mundo antes de assumir as empresas do pai na França. Ele foi à Polinésia Francesa, ao Chile e ao Egito, dali voltaria pra casa.

Charles, eu e Alexandre
Por falta de tempo não pude visitar Aswan e Abu Simbel mas fica aqui registrado que são também dois lugares que merecem a visita pra quem vem ao Egito.
O Roteiro inicial previa uma viagem de Luxor até Sharm el Sheik por ferry-boat que partia de Hurghada mas por causa da situação tensa que o país vivia esse serviço estava suspenso, tivemos que fazer o caminho de ônibus numa viagem de 18 horas! Tomei um comprimido para dormir e de madrugada fomos acordados pelo exército egípcio na estrada no meio do nada, acho que eles queriam verificar as bagagens dos  estrangeiros porque não vi nenhum egípcio sendo chamado a descer do ônibus; como eu estava sob o efeito de sonífero as minhas lembranças são como as de um sonho mesmo, me lembro de ter muita dificuldade de entender o que me pediam, depois que eles descobriram qual era a minha mochila, tive que abrir e mostrar tudo lá dentro com minha bagagem apoiada no chão de terra batida, estava em fim de viagem então tinha vários presentes cuidadosamente embrulhados, tive que abrir e mostrar tudo! Minha mochila chegou em Sharm el Sheik uma completa bagunça, sinceramente nem me lembro como essa confusão acabou, sei que nos liberaram e voltei a dormir.
De manhã estávamos em Sharm el Sheik e esse seria o último dia da viagem pra mim, o Alexandre ainda iria subir o Monte Sinai ali perto, antes de voltar pra Israel de onde saia o avião dele de retorno ao Brasil, mas eu não tinha mais tempo pra isso e então nos despedimos pra que ele pudesse fazer os arranjos necessários e eu estava sozinho nesse último dia.
Sharm el Sheik é, assim como Eilat, uma cidade resort e um dos principais destinos para mergulho sub-aquático no mundo e era pra isso que eu estava ali. Depois de ter mergulhado em Morro de São Paulo, na Bahia (Brasil), não poderia vir ao Egito e não mergulhar aqui também!
Mas numa viagem de confusões e problemas mas ainda assim fantástica, o que esperar do último dia? Confusões, problemas e um final fantástico…
Depois de andar um pouco pela cidade encontrei uma dessas escolas de mergulho assistido com uso do cilindro, fui à recepção e comecei a falar com um rapaz alemão que vim a saber que se chamava Friday; expliquei que estava ali e queria mergulhar, acertamos o preço (muito mais barato do que paguei no Brasil, aliás) e estávamos falando de horários pra fazer o tal mergulho, quando eu disse que só havia um problema: Eu queria mergulhar o quanto antes já que tinha vôo marcado às seis da tarde e precisava ir para o aeroporto logo após o mergulho.
Aqui a confusão começou, eu não sabia que devido à diferentes pressões atmosféricas no fundo do mar e no ar, é estritamente desaconselhável, até mesmo proibido, uma pessoa mergulhar e voar sem um intervalo de 24 horas entre uma atividade e outra, sob pena de ficar paralítico por exemplo; o Friday então se mostrou a pessoa ideal nessa situação, primeiro ele tentou me convencer a não mergulhar mas vendo que eu estava um pouco relutante ele então se apresentou como dono do lugar, me disse que visando o meu bem e a reputação da empresa dele ali eu não mergulharia, me explicou que devido aos problemas do Egito o turismo (e os negócios) estavam muito fracos e que se eu procurasse pela cidade encontraria outros locais, com donos menos escrupulosos que me permitiriam mergulhar mas ele recomendava que eu não o fizesse.
Diante dessa argumentação, caí na realidade e senti que realmente seria perigoso mergulhar naquele dia mas pensei “e se eu mudasse o meu vôo pra amanhã?”, então ele me forneceu a senha da internet deles de graça pra que eu pudesse tentar alterar o meu vôo, o que infelizmente não foi possível assim em cima da hora.
No final, mais uma vez o Friday se mostrou uma pessoa fantástica e vendo a minha tristeza me disse, “cara, tu tá num dos destinos mais paradisíacos do mundo, no mar vermelho, um belíssimo dia de sol; tá vendo aquelas esteiras de praia ali na frente? (a escola era à beira mar e bem em frente haviam essas esteiras que os hotéis de luxo costumam fornecer aos hóspedes), ele disse, essas esteiras pertencem à nós; tá vendo aquele rapaz ali vestindo uma camisa havaiana? Ele é nosso empregado; pega esse voucher, mostra pra ele que isso te dá direito à qualquer cocktail do menu ao lado das esteiras, aproveita o drink, o sol e o mar, deixa tua mochila aqui no meu escritório, no fim pode usar os nossos vestiários pra tomar um banho e pegar o teu avião; e quando puder voltar a Sharm el Sheik vem mergulhar com a gente; eu faço questão de ser o teu instrutor nesse dia! Acho que nem preciso dizer que ele não me cobrou nada por isso!
Então foi assim! Não pude mergulhar mas tive um super último dia à beira mar e toda essa história é a síntese dessa viagem recheada de imprevistos e mesmo assim, e talvez até por causa deles, inesquecível!
Depois do dia na praia, aeroporto, escala em Londres, uma noite lá e vôo pra Lisboa no outro dia bem cedo! Fim da viagem! Bem, mais ou menos porque um dia depois de aterrizar em Lisboa fui ao Brasil mas isso já é outra história...

Mas você talvez se pergunte, Cadê a Suiça? Bom, algumas vezes se você tem a intenção de visitar algum lugar, depois que checar os preços das passagens usando as companhias mais tradicionais, é sempre aconselhável checar as low cost também, se elas não voam direto tente dividir a sua viagem em duas, por exemplo, eu queria ir à Tel Aviv e os bilhetes que eu comprei, na verdade dois pra ida e dois pra volta, foram assim: Lisboa-Genebra, Genebra-Tel Aviv (na ida); Tel Aviv-Londres, Londres-Lisboa (na volta). Como vocês já sabem vários vôos foram mudados no decorrer da viagem mas o importante aqui é que com o preço que economizei por ter feito esta escala em Genebra, passei dois dias na Suíça Francesa de graça!
Visitei Genebra, Montreux, Vevey e Lausanne.
Como também sou músico, gostei muito de Montreux, cidade famosa pelo festival de jazz e lá também visitei o Château de Chillon que é o monumento mais visitado do país.
Vevey é também muito aconchegante.

Charles Chaplin e eu em Vevey na Suíça

Um dos meus artistas preferidos, o gênio Charles Chaplin, que era britânico mas vivia nos Estados Unidos estava sendo muito perseguido pelo chefe do FBI J. Edgar Hoover e pelo Macartismo, um movimento histórico americano anticomunista, liderado pelo Senador Joseph McCarthy e também chamado de “caça às bruxas”, onde durante as décadas de 40 e 50 vários artistas foram perseguidos alegadamente por serem comunistas. Então, em 1952 Chaplin foi ao Reino Unido para a estréia do filme “Luzes da Ribalta” em Londres e Hoover negociou com o Serviço de Imigração americano a revogação do visto de Chaplin que decidiu não voltar a entrar nos EUA e mudou-se para Vevey na Suíça. Lá viveu até vir a falecer em 1977 aos 88 anos; ele está enterrado junto com a sua última esposa Oona O´Neill Chaplin num pequeno cemitério da cidade.
Em 1972, Charles Chaplin foi aos Estados Unidos receber um Oscar Honorário; ele saiu do exílio pra receber esse prêmio e foi homenageado com a mais longa ovação em pé da história do Oscar, com uma duração total de 10 minutos.
Genebra é a cidade mais visitada da Suíça, com a capital Zurique em segundo lugar.
Bom era isso! Assim termina essa longa viagem recheada de boas lembranças, não costumo escrever textos tão longos que se tornam cansativos de serem lidos num formato de blog mas foi necessário pra finalizar essa história que o MnM começou a contar em abril.
Até a próxima viagem!

Fotos da Viagem:
Genebra, Montreux, Vevey, Lausanne, Eilat, Taba, Cairo, Gizé e Luxor

sábado, 17 de novembro de 2012

9 meses em Londres


O que você acha da idéia de trabalhar 10 horas a menos por semana e ganhar 40% a mais? Calma, esse post não é nenhuma daquelas promoções enganosas, não se preocupe.
O que acontece é que depois de 9 meses em Londres finalmente passo a ter um emprego.
É claro que eu não estive esse tempo todo aqui sem trabalhar mas depois de dois meses fazendo de tudo um pouco, incluindo limpeza de shopping e lavador de pratos, entre outros trabalhos como garçom, passei a trabalhar em um hotel 5 estrelas mas através de uma agência de empregos e a partir do último dia 5 de novembro passei a trabalhar diretamente como funcionário desse mesmo hotel e com isso passo a trabalhar 40 horas por semana ao invés das 50 que fazia antes e passo a ganhar à volta de 40% a mais!
Isso me fez pensar que posso agora dizer que já estou adaptado aqui, já ando pela cidade (quase) toda sem mapa, sem necessidade de GPS, moro num lugar legal, perto do centro e passo a ter um emprego decente, apesar de cansativo, trabalhoso, tenho que acordar às 4 da manhã, já que sirvo o café-da-manhã no hotel, mas decente. E mais importante do que isso, trabalho em um ambiente onde só falo inglês, já que esse é o motivo principal da minha estada aqui; obter fluência na língua.
Então, já que depois de 9 meses “nasceu” uma vida melhor pra mim aqui, achei que era hora de fazer um post com as impressões de Londres nesse período.
Pra quem ainda não sabe, antes de mudar pra cá, morei dez anos em Portugal e por isso obtive a Cidadania Portuguesa, mas na Inglaterra, além de um passaporte ou visto que te permita trabalhar aqui, nada acontece sem um documento que se chama National Insurance Number, o equivalente, pra nós brasileiros, ao INSS. Pro meu azar, cheguei aqui perto do feriado de Páscoa o que atrasou o meu agendamento para obter o maldito documento, mas tudo bem, limpezas e lavar pratos não mata ninguém. Trabalhei também num restaurante português mas como eu disse antes, estava procurando um trabalho onde eu pudesse praticar o inglês, e com colegas e clientes quase somente portugueses e brasileiros isso é impossível, sem contar que eles pagavam o “maravilhoso” salário de 1100 libras ao mês por 60 a 65 horas de trabalho por semana! “Estais a brincar comigo ó pá?” Mas na falta de coisa melhor trabalhei com eles só aos fins de semana e ganhando por hora.
Com o Insurance Number na mão pude procurar por coisa melhor até obter esse trabalho no hotel.
Londres é definitivamente uma cidade incrível, diversos pontos turísticos, exposições, museus quase todos grátis, shows, muitas coisas pra fazer. Também gosto que aqui o centro é muito bem cuidado e aproveitado, a maioria dos pontos turísticos é no centro da cidade, sempre tem alguma coisa acontecendo em Trafalgar Square, bandas tocando em Marble Arch, na esquina com a Oxford Street; também no centro pertinho do Parlamento e da London Eye, tem o Southbank, uma área à beira-rio que é um centro cultural à céu aberto, ou seja ao contrário da maioria das grandes cidades onde geralmente as pessoas quase nunca vão ao centro, em Londres a cidade ferve e o centro borbulha! É claro que muitas coisas são mais afastadas do centro, como Greenwich e até o Castelo em Windsor, que já é outra cidade, mas o principal tá no centro que é muito vivo!
Apesar de incrível Londres é uma cidade cara, um quarto aqui pra dividir com outra pessoa custa em média umas 140 libras, 70 pra cada um (se consegue quartos mais baratos mas bons aí já é outra conversa), o transporte custa 18,80, isso se você usar só o ônibus porque se for querer usar o metrô já sobe pra 29,20. Está achando caro? Pois é, mas todos esses valores são por semana! Isso mesmo, pra chegar a um valor mensal é preciso multiplicar essas despesas por 4,33, já que são 4 semanas (28 dias, certo?), os outros 0,33 servem pra ajustar os dias que faltam pra completar um mês.
Lembrando que estamos falando em alugar um quarto dentro de uma casa ou apartamento, ou seja, para esses valores você estará compartilhando o lugar que mora com outras pessoas que muitas vezes não conhece (o que pode ser uma experiência maravilhosa ou desastrosa, mas meio termo também é possível) e estará também compartilhando o seu quarto com outro alguém, que pode ser o seu par (marido/esposa, namorado/namorada), um amigo(a) ou um desconhecido.
Então vejamos: 70 libras pelo quarto mais 18,80 pelo transporte (eu só ando de ônibus), dá 88,80 libras por semana, ou (x4,33), umas 385 libras por mês, isso numa cotação de hoje com a libra valendo 3,30 reais resulta em uma despesa de uns R$ 1270,00 por mês só em moradia e transporte, ou seja ninguém se alimentou nem se divertiu nesse mês.
Despesas com alimentação e diversão, como é óbvio, é difícil mensurar já que depende muito do modo de vida de cada pessoa.
A minha despesa aqui gira em torno de umas 600 a 700 libras por mês, em moradia, transporte, alimentação e diversão (comer fora de vez em quando, sair à noite, cinema, algum ingresso pra alguma atração turística), mas repetindo, isso é muito variável.
Sem contar as viagens que faço que, claro, são despesas extras. E também não estou contando outras despesas como comprar roupas por exemplo.
Não vou expor aqui exatamente quanto eu ganho mas só vou concluir dizendo uma coisa; Londres NÃO é o melhor lugar na Europa pra se ganhar dinheiro, como eu já disse estou aqui melhorando o meu inglês e aproveitando a experiência de viver em uma das capitais do mundo e posso dizer que tenho gostado muito, da atmosfera do lugar, das pessoas em geral, aqui também se conhece gente do mundo inteiro (só no hotel onde eu trabalho nós temos mais de 60 nacionalidades diferentes!), enfim, apesar de ser cara e do clima (hoje às 4 da tarde já era noite) é uma ótima cidade pra se viver.
Um outro motivo que me fez escolher Londres foi o fato de que os Jogos Olímpicos desse ano seriam aqui e foi fantástico poder participar ativamente, tanto no meu trabalho quanto como espectador, de um evento tão importante que a gente (e o mundo), sempre acompanha pela televisão.
O hotel onde eu trabalho, foi um dos hotéis em Londres escolhido pra receber as comitivas internacionais, então pessoas dos comitês organizadores de 204 diferentes países estavam hospedados lá. O café-da-manhã era “multi-colorido” com os clientes vestindo os trajes oficiais dos seus países. Muito Legal!
Como espectador, fui aos seguintes eventos:
Brasil 3 x 2 Egito, Futebol Masculino em Cardiff (País de Gales);
Brasil 3 x 1 Bielorrússia, Futebol Masculino em Manchester;
Estados Unidos 3 x 0 Alemanha, Vôlei Masculino em Londres (Earls Court);
Brasil 3 x 0 Rússia, Vôlei Masculino em Londres (Earls Court), ganhamos de 3 a 0 da Rússia mas na final acabamos perdendo a medalha de ouro pra eles por 3 sets a 2 depois de estar ganhando por 2 a 0!;
Brasil 77 x 82 Argentina, Basquete Masculino em Londres (O2 Arena);
Estados Unidos 119 x 86 Austrália, Basquete Masculino em Londres (O2 Arena);
Antes das Olimpíadas fui à um evento teste no Parque Olímpico em Stratford e durante fui diversas vezes ao Hyde Park, que é perto do meu trabalho e onde haviam telões em que se podia assistir aos eventos ao vivo e a entrada era gratuita.
Não fui em todos os eventos que eu gostaria, alguns eram absurdamente caros, mas deu pra sentir o clima e o espírito olímpico, nem de longe me atrevo a reclamar.
Bom de momento era isso que eu queria compartilhar aqui no blog, sei que o post não é sobre visitar a cidade e será mais interessante pra quem talvez planeje vir morar aqui um dia mas de tempos em tempos eu pretendo fazer um ponto da situação dessa minha estada aqui.
Até a próxima!