sábado, 17 de novembro de 2012

9 meses em Londres


O que você acha da idéia de trabalhar 10 horas a menos por semana e ganhar 40% a mais? Calma, esse post não é nenhuma daquelas promoções enganosas, não se preocupe.
O que acontece é que depois de 9 meses em Londres finalmente passo a ter um emprego.
É claro que eu não estive esse tempo todo aqui sem trabalhar mas depois de dois meses fazendo de tudo um pouco, incluindo limpeza de shopping e lavador de pratos, entre outros trabalhos como garçom, passei a trabalhar em um hotel 5 estrelas mas através de uma agência de empregos e a partir do último dia 5 de novembro passei a trabalhar diretamente como funcionário desse mesmo hotel e com isso passo a trabalhar 40 horas por semana ao invés das 50 que fazia antes e passo a ganhar à volta de 40% a mais!
Isso me fez pensar que posso agora dizer que já estou adaptado aqui, já ando pela cidade (quase) toda sem mapa, sem necessidade de GPS, moro num lugar legal, perto do centro e passo a ter um emprego decente, apesar de cansativo, trabalhoso, tenho que acordar às 4 da manhã, já que sirvo o café-da-manhã no hotel, mas decente. E mais importante do que isso, trabalho em um ambiente onde só falo inglês, já que esse é o motivo principal da minha estada aqui; obter fluência na língua.
Então, já que depois de 9 meses “nasceu” uma vida melhor pra mim aqui, achei que era hora de fazer um post com as impressões de Londres nesse período.
Pra quem ainda não sabe, antes de mudar pra cá, morei dez anos em Portugal e por isso obtive a Cidadania Portuguesa, mas na Inglaterra, além de um passaporte ou visto que te permita trabalhar aqui, nada acontece sem um documento que se chama National Insurance Number, o equivalente, pra nós brasileiros, ao INSS. Pro meu azar, cheguei aqui perto do feriado de Páscoa o que atrasou o meu agendamento para obter o maldito documento, mas tudo bem, limpezas e lavar pratos não mata ninguém. Trabalhei também num restaurante português mas como eu disse antes, estava procurando um trabalho onde eu pudesse praticar o inglês, e com colegas e clientes quase somente portugueses e brasileiros isso é impossível, sem contar que eles pagavam o “maravilhoso” salário de 1100 libras ao mês por 60 a 65 horas de trabalho por semana! “Estais a brincar comigo ó pá?” Mas na falta de coisa melhor trabalhei com eles só aos fins de semana e ganhando por hora.
Com o Insurance Number na mão pude procurar por coisa melhor até obter esse trabalho no hotel.
Londres é definitivamente uma cidade incrível, diversos pontos turísticos, exposições, museus quase todos grátis, shows, muitas coisas pra fazer. Também gosto que aqui o centro é muito bem cuidado e aproveitado, a maioria dos pontos turísticos é no centro da cidade, sempre tem alguma coisa acontecendo em Trafalgar Square, bandas tocando em Marble Arch, na esquina com a Oxford Street; também no centro pertinho do Parlamento e da London Eye, tem o Southbank, uma área à beira-rio que é um centro cultural à céu aberto, ou seja ao contrário da maioria das grandes cidades onde geralmente as pessoas quase nunca vão ao centro, em Londres a cidade ferve e o centro borbulha! É claro que muitas coisas são mais afastadas do centro, como Greenwich e até o Castelo em Windsor, que já é outra cidade, mas o principal tá no centro que é muito vivo!
Apesar de incrível Londres é uma cidade cara, um quarto aqui pra dividir com outra pessoa custa em média umas 140 libras, 70 pra cada um (se consegue quartos mais baratos mas bons aí já é outra conversa), o transporte custa 18,80, isso se você usar só o ônibus porque se for querer usar o metrô já sobe pra 29,20. Está achando caro? Pois é, mas todos esses valores são por semana! Isso mesmo, pra chegar a um valor mensal é preciso multiplicar essas despesas por 4,33, já que são 4 semanas (28 dias, certo?), os outros 0,33 servem pra ajustar os dias que faltam pra completar um mês.
Lembrando que estamos falando em alugar um quarto dentro de uma casa ou apartamento, ou seja, para esses valores você estará compartilhando o lugar que mora com outras pessoas que muitas vezes não conhece (o que pode ser uma experiência maravilhosa ou desastrosa, mas meio termo também é possível) e estará também compartilhando o seu quarto com outro alguém, que pode ser o seu par (marido/esposa, namorado/namorada), um amigo(a) ou um desconhecido.
Então vejamos: 70 libras pelo quarto mais 18,80 pelo transporte (eu só ando de ônibus), dá 88,80 libras por semana, ou (x4,33), umas 385 libras por mês, isso numa cotação de hoje com a libra valendo 3,30 reais resulta em uma despesa de uns R$ 1270,00 por mês só em moradia e transporte, ou seja ninguém se alimentou nem se divertiu nesse mês.
Despesas com alimentação e diversão, como é óbvio, é difícil mensurar já que depende muito do modo de vida de cada pessoa.
A minha despesa aqui gira em torno de umas 600 a 700 libras por mês, em moradia, transporte, alimentação e diversão (comer fora de vez em quando, sair à noite, cinema, algum ingresso pra alguma atração turística), mas repetindo, isso é muito variável.
Sem contar as viagens que faço que, claro, são despesas extras. E também não estou contando outras despesas como comprar roupas por exemplo.
Não vou expor aqui exatamente quanto eu ganho mas só vou concluir dizendo uma coisa; Londres NÃO é o melhor lugar na Europa pra se ganhar dinheiro, como eu já disse estou aqui melhorando o meu inglês e aproveitando a experiência de viver em uma das capitais do mundo e posso dizer que tenho gostado muito, da atmosfera do lugar, das pessoas em geral, aqui também se conhece gente do mundo inteiro (só no hotel onde eu trabalho nós temos mais de 60 nacionalidades diferentes!), enfim, apesar de ser cara e do clima (hoje às 4 da tarde já era noite) é uma ótima cidade pra se viver.
Um outro motivo que me fez escolher Londres foi o fato de que os Jogos Olímpicos desse ano seriam aqui e foi fantástico poder participar ativamente, tanto no meu trabalho quanto como espectador, de um evento tão importante que a gente (e o mundo), sempre acompanha pela televisão.
O hotel onde eu trabalho, foi um dos hotéis em Londres escolhido pra receber as comitivas internacionais, então pessoas dos comitês organizadores de 204 diferentes países estavam hospedados lá. O café-da-manhã era “multi-colorido” com os clientes vestindo os trajes oficiais dos seus países. Muito Legal!
Como espectador, fui aos seguintes eventos:
Brasil 3 x 2 Egito, Futebol Masculino em Cardiff (País de Gales);
Brasil 3 x 1 Bielorrússia, Futebol Masculino em Manchester;
Estados Unidos 3 x 0 Alemanha, Vôlei Masculino em Londres (Earls Court);
Brasil 3 x 0 Rússia, Vôlei Masculino em Londres (Earls Court), ganhamos de 3 a 0 da Rússia mas na final acabamos perdendo a medalha de ouro pra eles por 3 sets a 2 depois de estar ganhando por 2 a 0!;
Brasil 77 x 82 Argentina, Basquete Masculino em Londres (O2 Arena);
Estados Unidos 119 x 86 Austrália, Basquete Masculino em Londres (O2 Arena);
Antes das Olimpíadas fui à um evento teste no Parque Olímpico em Stratford e durante fui diversas vezes ao Hyde Park, que é perto do meu trabalho e onde haviam telões em que se podia assistir aos eventos ao vivo e a entrada era gratuita.
Não fui em todos os eventos que eu gostaria, alguns eram absurdamente caros, mas deu pra sentir o clima e o espírito olímpico, nem de longe me atrevo a reclamar.
Bom de momento era isso que eu queria compartilhar aqui no blog, sei que o post não é sobre visitar a cidade e será mais interessante pra quem talvez planeje vir morar aqui um dia mas de tempos em tempos eu pretendo fazer um ponto da situação dessa minha estada aqui.
Até a próxima!

domingo, 11 de novembro de 2012

Barcelona

La Pedrera
Fui à Barcelona semana passada e acho que não preciso dizer o quanto vale a pena incluir esta incrível cidade no seu roteiro pela Europa.

Mas definitivamente Barcelona é uma cidade que requer um bom planejamento, então aqui estão as dicas do Morando na Mochila para Barcelona!

Em primeiro lugar, sempre ouvi muitas pessoas falando em estar em média 3 dias em cada lugar o que muitas vezes é suficiente mas pra Barcelona é expressamente recomendável mais tempo, por diversas razões; a cidade é grande, as atrações são muitas e espalhadas pela cidade e uma coisa que me surpreendeu foi que apesar de ser novembro a cidade estava repleta de turistas com filas sem fim pra qualquer uma das principais atrações, o que consome o nosso tempo livre pra visitar a cidade. Fico imaginando como deve ser em alta temporada européia; se você não sabe o forte do verão europeu e portanto o período em que as pessoas mais viajam é entre Julho e Setembro, com Agosto podendo ser comparado ao nosso Janeiro no Brasil, quando é mais calor e muita gente está de férias.

Eu fiquei 6 dias no total mas num desses dias fui a Figueres e Girona, duas pequenas cidades perto de Barcelona, o que me deixou com 5 dias pra Barça. Com o que eu sei hoje, não teria ido nessa “day trip” e acho que 7 dias completos só em Barcelona teria sido o ideal. É claro que isso é muito particular e portanto varíavel.

Se você tem 3 ou ainda menos dias com certeza será uma visita fantástica mesmo assim, mas ainda mais importante será um bom planejamento.

Entao vamos lá: O aeroporto principal de Barcelona é o El Prat que fica a 30 minutos de trem urbano (e portanto barato) do centro da cidade. Nesse momento a Easyjet voa pra lá de diversas cidades da Europa. Outras companhias como a Ryanair, por exemplo, voam pra cidades próximas como Girona e Reus. No dia que visitei Girona a viagem durou em torno de 1:30hs da estação de trem até Barcelona, fora o tempo que você levar pra ir do aeroporto de Girona até a estação de trem; paguei 10€ por esse trecho.

Sempre que possível tente utilizar El Prat, será muito mais prático.

De El Prat até o centro você tem o Aerobus (http://www.aerobusbcn.com/) mas uma outra alternativa mais barata é o trem que sai do Terminal 2 e pode te deixar na “Barcelona-Sants Estació” (principal estação de trem da cidade) ou no “Passeig de Gràcia”, que fica perto da Plaça de Catalunya e das Ramblas.

Recomendo o passe T-10, que é um passe de 10 viagens válido para os transportes públicos de Barcelona e custa 9,45€; você gasta uma das viagens até o centro e ainda restam outras nove para você utilizar nos outros dias que estiver visitando a cidade, o T-10 vale para metrô, ônibus e outros transportes. Uma viagem de metrô em Barcelona custa 2€.

Para visitar as atrações existe um passe que se chama ArticketBCN (http://www.articketbcn.org/es/) que é válido para 7 museus de arte e custa 30€. Parece caro mas o Museu Picasso e a Casa Millà (La Pedrera) estão incluídos no passe e só esses dois custam os mesmos 30€. Com o passe você também tem acesso direto às atrações, evitando as filas.

Tem também o Barcelona Card mas não acho que valha a pena já que ele só dá acesso ao transporte (o que pode ser resolvido com o T-10) e não dá acesso gratuito à nenhuma das atrações principais, no máximo vai te fornecer algum desconto.

La Sagrada Familia
Sem dúvida você já sabe que uma atração imperdível em Barcelona é La Sagrada Familia mas quando for visitar vá cedo; eu cheguei às 9 da manhã e a fila fazia a volta em torno da basílica, quando eu estava quase pensando em ir embora e voltar no outro dia, mais cedo, fui olhar os preços e vi uma placa que dizia “accesso directo sin colas” (acesso direto sem filas), on line, peguei meu celular e em 5 minutos era portador de um recém comprado ingresso e passei à frente da fila que sem dúvida levaria mais de duas horas para vencer! Entao aqui a dica é: Compre o seu ingresso para La Sagrada Familia antecipadamente e quando chegar na basílica e ver o tamanho da fila simplesmente sorria, faça a sua visita tranquilamente e, se lembrar, insira o Morando na Mochila nas suas preces!

O site oficial da Sagrada Familia, em espanhol é: www.sagradafamilia.cat/sf-cast/?lang=0.

Comprar o ingresso pra Sagrada Familia on line (e sentado num banco de praça), só foi possível porque no dia que eu cheguei em Barcelona, após uma rápida pesquisa comprei um cartão SIM da Espanha pro meu celular justamente para poder estar conectado à Internet, acessar GPS, Facebook e tudo mais. Optei pela Orange que por 10€ te oferece o cartão e te dá uma semana de acesso ilimitado à Internet. É rápido e fácil, só lembre de levar o seu passaporte na loja e em 30 minutos estará tudo resolvido. Lembrando que não estou aqui fazendo propaganda de ninguém, só ocasionalmente menciono o nome de empresas que utilizei e me forneceram um bom serviço.

Park Güell
Para visitar o Park Güell as estações de metrô são Lesseps ou Vallcarca mas de qualquer uma delas você ainda precisa caminhar uns 20 minutos morro acima. Uma opção é pegar o ônibus 24 na Plaça de Catalunya que te deixa em cima do morro e em uma das entradas do parque, o único senão é que essa não é a entrada principal, assim a visita se dá de trás pra frente, começando pelas traseiras e terminando no portão principal, ainda assim acho que esta é a melhor maneira de se visitar o Park Güell. Também na minha opinião acho que não vale a pena visitar a Casa-Museu Gaudí dentro do parque.

Outro parque interessante em Barcelona é o Montjuïc, que também é em um morro. Você pode ir até a estação de metrô Paral-lel e depois pegar o funicular (bonde) até Montjuïc. No fim do funicular tem o teleférico que te leva ao Castelo de Montjuïc (Na verdade mais uma fortaleza) mas o teleférico custa 7€ só pra subir e a alternativa é o ônibus 150. Se você seguiu os meus conselhos anteriores e comprou o ArticketBCN e o T-10, depois do funicular procure (e visite) a Fundació Joan Miró, que está incluída no ticket e ao sair terá a parada do 150 bem em frente, do outro lado da rua. Utilize uma das viagens do seu T-10 até o castelo. A linha 150 começa na Plaça d`Espanya se for mais acessível para você.

Só uma coisa, estamos falando em duas experiências diferentes, uma mais barata (ônibus) e outra com certeza mais interessante, sem dúvida que ir ao topo do Montjuïc de teleférico é muito mais divertido; o blog se propõe a informar mas cabe a você decidir o que quer fazer certo?

Pra mim o planejamento de uma visita à Barcelona deve começar assim: Barcelona=Antoni Gaudí, a obra desse arquiteto catalão é realmente imperdível, mas isso você já deve saber; o que pouca gente sabe (inclusive eu não sabia), é que existe um outro arquiteto, contemporâneo de Gaudí, que é tão genial quanto o seu colega mais famoso.

Palau de la Música Catalana
Seu nome é Lluís Domènech i Montaner e uma de suas obras é o impressionante Palau de la Música Catalana, que vale muito a visita, apesar do preço salgado, 17€ só pra visitar um prédio é um pouco pesado independente da beleza dele, mas ainda assim acho que é um lugar que não se pode deixar de ir. Se você não quiser pagar pra entrar, vá pelo menos até lá para admirar a fachada e o saguão de entrada onde o acesso é livre e há uma cafeteria.

Aqui deixa eu contar uma história a respeito dessa visita: Estava eu dentro do palácio, ouvindo o nosso guia falar e o lugar me fazia lembrar as casas de ópera que já visitei (a Ópera de Budapeste por exemplo é outro lugar imperdível), então cheguei à essa conclusão; o Palau de la Música Catalana é isso, uma casa de ópera. Estava tudo indo muito bem até o nosso guia mencionar que aquele lugar aceitava todos os tipos de música que existem no mundo e a arquitetura e a decoraçao nos remete à isso; então ele disse; “todos os tipos de música menos ópera”, e num segundo eu deixei de me sentir o mais perspicaz da face da terra pra me sentir o mais ignorante. Mas tudo bem, bola pra frente. Pra mim parece uma Ópera.

Outra obra desse mesmo arquiteto é o Hospital de la Santa Creu i Sant Pau projetado a partir da idéia de que a beleza, cores e harmonia de um lugar ajuda a recuperaçao de pessoas doentes e também merece, e muito, uma visita. Fica não muito longe da Sagrada Família e a avenida que leva até o Hospital, a Avinguda de Gaudí, é um ótimo lugar pra tirar fotos da basílica.

A maneira mais utilizada pra se chegar até o Camp Nou (o Estádio do FC Barcelona) é a linha 3 do metrô e nessa linha, as estações mais próximas são: Les Corts, Maria Cristina e Palau Reial, nenhuma delas é tão próxima assim mas Maria Cristina me pareceu a de pior acesso e se você for assistir a um jogo no estádio desça na última delas (Palau Reial) porque muita gente desce nas outras duas e assim o tumulto já será menor. Eu fui assistir a um Barcelona x Celta de Vigo, um jogo normal, contra uma equipe menor, de meio de campeonato e que portanto não decidia nada e ainda assim o estádio estava lotado! Incrível!

Camp Nou, Estádio do Barça lotado num "simples" Barcelona X Celta de Vigo
Para ver se o Barça vai jogar no Camp Nou no período que você estiver na cidade e comprar ingressos vá ao site oficial: http://www.fcbarcelona.com/

Se quiser visitar o museu do clube, lembre-se que estará fechado em dia de jogo, portanto se você tiver ingressos pra um jogo do Barça terá que ir ao estádio duas vezes; uma para visitar o museu e outra no dia do jogo.

Como eu disse antes um dos dias que estive em Barcelona fui fazer uma “day trip” à Figueres e Girona. Queria muito visitar Figueres por causa da Casa-Museo Salvador Dalí, já que gosto muito de Surrealismo e Dalí é talvez o principal artista desse movimento artístico.

Girona meio que estava no caminho e é uma pequena cidade medieval.

Teatro-Museo Salvador Dalí
Também já falei que sabendo o que sei hoje não teria gasto um dia com essas visitas. Não que o museu do Dalí não seja interessante, até é, mas Figueres fica à duas horas de Barcelona e os principais quadros do Dalí não estão lá, provavelmente estão espalhados em diversos museus pelo mundo. Essa mesma sensação eu tive ao visitar o Museu Picasso, em Barcelona.

Não costumo recomendar lugares pra ficar nas minhas viagens porque quase sempre fico em hostels (albergues), onde você compartilha um quarto cheio de beliches com outras pessoas, geralmente por um preço muito mais acessível do que pagaria em um hotel. De um hostel espero chuveiro quente, um lugar seguro pra deixar as minhas coisas e uma cama limpa pra dormir no pouco tempo que fico alí. Quase todos oferecem “breakfast included” mas nunca crio muitas expectativas porque na Europa quase sempre o café-da-manhã é muito fraco.

Mas dessa vez nao posso reclamar, fiquei no St Christopher´s Barcelona e é um hostel acima da média; limpo, com cartões eletrônicos para controlar o acesso das pessoas, ótimo café-da-manhã, os beliches têm um sistema de cortina que te permite alguma privacidade e muito bem localizado perto da Plaça de Catalunya no centro de Barcelona. Reservei pelo excelente www.hostelworld.com

Por fim, e principalmente pra quem vai estar poucos dias em Barcelona, aqueles “3 dias ou menos”, que eu falei lá acima, aqui vai a minha seleção do que é realmente imperdível e das atrações consideradas grandes o que eu deixaria pra lá se não houvesse tempo:

Quase tudo do Gaudí é imperdível, você TEM que ir na Sagrada Família, La Pedrera, Casa Batlló, Park Güell, Palau Güell. Lembre-se Barcelona=Gaudí.

Las Ramblas
Você vai andar por Las Ramblas, vai ir no Mercado de la Boquería, andar pelo Barri Gòtic e Ciutat Vella e sendo verão ou não vai ir à praia de La Barceloneta.

Se o Barça jogar no período que você estiver na cidade não deixe de ir ao jogo, é eletrizante! Por outro lado o museu do clube, apesar de interessante, é caro e na minha opinião perde de 10 x 0 para a visita ao Santiago Bernabéu, estádio do Real Madrid, (espero que nenhum catalão leia isso), concluindo eu diria que se você tiver ingresso pra um jogo do Barça já está visitando o estádio e é suficiente, senão visite o museu, se tiver tempo, caso contrário tem outras coisas muito mais interessantes pra fazer em Barcelona.

Entre as grandes atraçoes que eu considero dispensáveis, ou seja, vá se der tempo, está o Museu Picasso, filas sem fim (que podem ser evitadas com o ArticketBCN), mas ainda assim, muito pouco Cubismo no museu do maior artista desse movimento. Assim como no museu do Dalí, fica a impressão de que as principais obras devem estar espalhadas por diversos museus pelo mundo; Picasso morou muito tempo em Paris e lá também tem um Museu Picasso que infelizmente não pude visitar porque estava em obras em 2009 quando fui à Paris.

Uma vez mais vou ter que mencionar Madrid num post sobre Barcelona (eles vão querer me matar), mas acho que o Picasso imperdível está em Madrid no Museu Reina Sofia e é Guernica, um painel que representa o bombardeio das forças alemãs à cidade de Guernica com a conivência do ditador espanhol Francisco Franco.

Guernica, de Pablo Picasso

A respeito do painel, gosto muito dessa história: Conta-se que em 1940, com Paris ocupada pelos nazistas, um oficial alemão, diante de uma fotografia reproduzindo a obra, perguntou a Picasso se havia sido ele quem tinha feito aquilo. O pintor, então, teria respondido: “Não, foram vocês!”.

A obra foi feita em Paris, ficou anos no MoMA (Museu de Arte Moderna de Nova Iorque) que recebeu de Picasso a ordem de que ela somente fosse transladada para a Espanha quando este fosse um país democrático.

Bom acho que o que eu gostaria de dizer sobre Barcelona era isso, quis fazer uma postagem bem de quem recém visitou a cidade, mas pra quem vai visitar Barcelona fica aqui a última dica: Meu post não abrange todas as atrações da cidade, não é essa a intenção e sim colocar aqui os pensamentos que me ocorreram enquanto visitava algumas atrações, espero que seja útil para quem planeje ir pra lá. Recomendo a leitura de livros de viagem e muita pesquisa na net pra que você tenha uma visão mais completa de tudo que essa incrível cidade tem pra oferecer.

Os comentários estão abertos pra dúvidas.

Bon viatge! (boa viagem, em catalão)

Fotos da Viagem:
Barcelona, Figueres e Girona

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Cardiff (País de Gales), Manchester e Liverpool (Inglaterra)

Próxima viagem chegando!!! Depois de um tempo afastado do blog tentando me acostumar com essa nova vida aqui em Londres, só vim fazer uma comunicação rápida; as olimpíadas estão chegando (sério?) e não sei se você sabe mas apesar de ser em Londres muitos jogos de futebol vão acontecer em várias cidades em todo o Reino Unido, então comprei uns bilhetes e vou fazer um mini tour pra assistir dois jogos da Seleção Brasileira. Na volta à Londres tenho um bilhete pro vôlei masculino também.
Então vai ser assim:
Dia 26/07 estou indo pra Cardiff, capital do País de Gales, nesse dia tem Brasil x Egito (Futebol Masculino), fico o dia 27 lá e à noite vou pra Manchester assistir Brasil x Bielorrússia, futebol também.
Depois desse último jogo e aproveitando que Liverpool fica à uma hora de Manchester, passo o dia 30 na terra dos Beatles.
E dia 31 tenho ingresso pro jogo Brasil x Rússia (Vôlei Masculino), já em Londres.
Como não poderia deixar de ser muitas novas histórias e fotos estão por vir, então até mais!!

P.S.: Sei que ainda tenho que finalizar as histórias da viagem pra Israel e Egito, em breve estarei postando aqui também.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Outras Viagens: Israel e Egito - Parte 2 e Palestina


Muro das Lamentações
Entrar em países que vivem em uma situação de tensão como é o caso de Israel não é assim tão fácil e pra um mochileiro que gosta de viajar sem reservas de hotel e sem dinheiro do país que vai visitar é pior ainda… Ainda assim acho que mandarem SEIS oficiais diferentes pra me fazer as mesmas perguntas chega a beirar o ridículo mas foi o que aconteceu. O discurso deles era esse: Porque eu estava ali, onde eu ia ficar, quanto dinheiro eu tinha, que dia eu ia embora, pra onde eu ia depois?
Todas as vezes respondi da mesma forma, com a mesma educação da primeira. Estava ali pra conhecer o país, como turista, não tinha reserva de hotel mas tinha vários endereços de locais pra dormir, não tinha dinheiro do país mas tinhas euros, francos suiços (onde fiz uma escala que contarei depois), cartão de banco e que assim que eles me liberassem iria sacar dinheiro em um caixa eletrônico, pretendia ficar mais ou menos uma semana e depois iria pra Jordânia, Síria e Líbano. Ao fim de 2 semanas estaria em Tel Aviv pra pegar o avião que me levaria embora.
Nesse momento da viagem eu tinha decidido não ir ao Egito.
Como eu relatei antes pra poder entrar na Síria e no Líbano não poderia ter meu passaporte carimbado em Israel.
E cinco das seis vezes que me entrevistaram sempre fiz esse pedido, e cinco das seis vezes me disseram que não haveria problema. Na sexta vez, já cansado depois de 4 horas no aeroporto, me esqueci de fazer esse pedido e 5 minutos depois dessa última entrevista vem um oficial com o meu passaporte dizendo que eu poderia ir. Estava Liberado! Fiquei tão contente na hora que nem me dei conta que eles haviam carimbado meu passaporte, só fui ver isso quando enfim passei a imigração e naquele momento minha ida pra Síria e Líbano ficava automaticamente cancelada.
Um sentimento de frustração era inevitável. Restava colocar os problemas pra trás e aproveitar as próximas 2 semanas entre Israel e Jordânia.
Jaffa Gate
Saí do aeroporto e fui pra rodoviária de Tel Aviv e peguei o primeiro ônibus pra Jerusalém, cheguei lá já escurecia e ainda tinha que achar um lugar pra dormir, quando cruzando o famoso Jaffa Gate, um dos portões de acesso à cidade antiga de Jerusalém, escuto dois brasileiros conversando, um homem e uma mulher. Eu estava super cansado e a minha primeira reação foi passar direto, caminhei mais uns 50 metros quando decidi voltar e falar com eles e esse momento mudou toda a viagem, assim conheci duas pessoas fantásticas, dois grandes amigos que tornaram essa viagem muito mais divertida. A Eliana de São Paulo e o Alexandre de Nova Friburgo/RJ. Mas o interessante é que eu nem fiquei com eles ali nesse dia, perguntei se conheciam um hostel onde eu pudesse ficar, a Lica (Eliana) estava no Petra Hostel e o Ale em um outro perto da Damascus Gate. Como eu tinha boas referências do lonely planet (famoso guia de viagem) de um outro hostel decidi não acatar as dicas deles, dormi uma noite no tal hostel indicado, não gostei e no outro dia em frente ao Petra Hostel encontro eles de novo. Destino? Coincidência? Chame como quiser mas a verdade é que a partir daí não nos largamos mais! Mudei pro Petra e eles se tornaram os companheiros de viagem em Jerusalém.
Um trecho da Via Dolorosa
No fim do dia acabamos em um pizzaria na Via Dolorosa, pra quem não sabe é o trajeto que Cristo percorreu carregando a cruz, o dono se chamava Miguel Angél, era uma figuraça meio árabe meio equatoriano, que falava espanhol, fazia as pizzas do jeito que a gente quisesse e se tornou nosso amigo também.
Eliana, Miguel Angél, um ajudante dele, Alexandre e Eu
Inevitavelmente, visitar Jerusálem é um acontecimento ligado à religião. Eu não sou um cara muito religioso, não tenho muito conhecimento bíblico e a primeira vez que fui andar sozinho por Jerusalém, já que a Lica tinha coisas pra fazer e o Ale estava em outro albergue, entrei na Basílica do Santo Sepulcro, perto do meu hostel, construída no local onde Cristo foi crucificado. Fiquei observando umas pessoas colocando a mão em uma pedra no chão e me dei conta que precisava de alguém que me explicasse o que significava aquilo e todas as outras dúvidas que com certeza iriam surgir e pela primeira vez nas minhas viagens decidi que precisava de um guia.
Ale, Lica e Eu na "nossa" pizzaria
Depois da Basílica comecei a procurar e sempre encontrava pessoas nada amigáveis que sabiam de alguém mas que me cobrava os olhos da cara pra uma ou duas horas por Jerusalém.
Lembrei então do Miguel, fui lá na pizzaria e depois de uma ligação dele já tinha uma conversa agendada praquela noite com um cara que também veio a se tornar um grande amigo, o Kais, um palestino que viveu em Paris muitos anos. Fomos tomar uma cerveja e fechei com ele por 3 dias, iríamos com o carro dele à Palestina, ao Mar Morto, Belém, algumas outras cidades históricas que ele me convenceu a conhecer e no terceiro dia faríamos um tour pelos principais locais de Jerusalém com direito às explicação dele, perguntas que eu quisesse fazer e tudo isso por um pouco mais do que os caras nas ruas pediam. Os almoços eram por minha conta mas como ele conhecia os lugares e era dali eu pagava pra nós dois pelo mesmo preço que tinha pago se fosse sozinho. E ainda eu poderia levar mais gente pelo mesmo preço, ou seja, se a Lica e o Ale quisessem ir comigo poderia rachar as despesas.
A pedra que as pessoas tocavam e que me fez procurar
um guia
Terminei o dia com mais uma animada visita à pizzaria do Miguel e na hora de ir embora ainda fomos numa espécie de confeitaria comprar uns doces típicos de Israel. O engraçado é que como estavam fechando, o cara só nos deu umas embalagens na mão e nos deixou entrar no balcão onde nos servimos à vontade, com direito a umas degustações extras, entre uma escolha e outra. Eu e a Lica fizemos a festa!
Então no outro dia cedinho partimos com o Kais pra Palestina, nosso primeiro destino do tour contratado.
Ale, Lica e Kais
Ainda não contei mas além da companhia ser agradável havia ainda um outro fator quase impossível, daquelas coisas que só acontecem em viagem. Bom, o Kais é palestino, até aí tudo normal, mas a Lica é de família judia e o Ale estudou para ser padre e depois desistiu.
Já se deram conta da situação? Eu tinha um muçulmano, uma judia e um cristão no meu círculo de amigos, que mais eu poderia querer pra começar a aprender sobre os lugares que estava visitando?
Engraçado também eram as divergências de opinião entre o Kais e a Lica a respeito do mesmo assunto e a certeza de que realmente Judeus e Palestinos tem um longo caminho pela frente até começarem a se entender.
Os árabes não conhecem o significado da palavra grátis
O convento ao fundo
Nossa primeira parada foi num mosteiro num desfiladeiro, o St George Monastery. Aqui o Alexandre aceitou a “receptividade” dos árabes que ofereceram um burro pra ele fazer o trajeto até o convento, foi engraçado o Ale tentando se explicar depois que não sabia que teria que pagar por isso. No fim e alguns “shekels” depois, (moeda israelense), ficou tudo bem.
Depois disso fomos num outro templo em Jericó, onde cristo foi tentado pelo diabo por 3 vezes, e tivemos um típico almoço palestino por lá mesmo. Jericó é considerada a cidade mais antiga ainda existente com 10.000 anos!
O dia terminou numa praia no Mar Morto, onde realmente não se consegue afundar por causa da altíssima salinidade da água. A sensação é indescritível.
O Alexandre conseguiu flutuar pela primeira vez na vida, já que ele não sabe nadar, então pra quem também não sabe e quer saber como é, a dica é essa: Venha ao Mar Morto!
O segundo dia não interessou à Lica e ao Ale então fomos só eu e o Kais pra umas cidades históricas da Palestina, uns sítios arqueológicos, mais um almoço espectacular num restaurante de um amigo do Kais e acabamos em Nablus, a primeira capital de Israel, (na visão palestina), onde eu comprei o meu cachecol igual ao do Yasser Arafat e que dias depois foi muito elogiado por uns palestinos nas ruas de Jerusalém.
O Domo da Rocha
No fim do dia, o Kais me disse que ia fazer uma coisa que não faz muitas vezes e me convidou pra ir jantar na casa dele em Jerusalém Oriental, aceitei o convite, claro, e assim pude conhecer a família do meu amigo palestino. E assim terminou mais um dia incrível por terras israelitas e palestinas!
E o dia a seguir era a cereja no topo do bolo! Iríamos finalmente fazer o tour guiado por Jerusalém e acabaríamos o dia com uma visita à Belém, onde Jesus nasceu!
Já na companhia da Lica e do Ale acordamos cedinho, café da manha no hostel, com o Ale de convidado/intruso, já que ele estava em outro hostel e, conforme combinado, encontramos o Kais num dos lugares mais incríveis e uma das edificações mais bonitas que eu já tive a oportunidade de visitar: A Mesquita de Al-Aqsa ou Domo da Rocha. Este é o local mais sagrado do Judaísmo, já que acreditam que aqui, mil anos antes de Cristo, (e antes de existir a mesquita), Salomão tenha construído o primeiro templo. É também o terceiro local mais sagrado para os muçulmanos depois de Meca e Medina, na Arábia Saudita. Já dá pra entender porque Israel e Palestina não se entendem, afinal eles brigam pelo mesmo lugar sagrado e muito da discórdia desses dois povos tem a ver com este local aqui.
Essa rampa é o acesso ao único portão que pode ser usado
por um não muçulmano que queira visitar a mesquita
Hoje em dia Jerusalém está sobre domínio israelita mas este local é controlado pelos muçulmanos.
O motivo pelo qual tivemos que encontrar o Kais aqui dentro é porque só é permitida a entrada de não muçulmanos em dias específicos e através de um único portão de acesso ao local. Os muçulmanos entram por todos os outros.
Depois da mesquita fomos a um hospital europeu, suíço, se me não me engano, bem no centro de Jerusalém. O lugar mais parecia um hotel e o Kais quis ir ali pra gente continuar a nossa conversa sobre Jerusalém com um café nos jardins do hospital. Depois subimos ao teto onde tínhamos uma vista privilegiada de toda a cidade, o que facilitava a explicação. Foi uma ótima maneira de começar o dia.
Eu e Kais
Dali seguimos pra Basílica do Santo Sepúlcro e finalmente pude entender porque as pessoas tocavam a tal pedra que me fez procurar um guia, lembram? Afinal a pedra foi onde o corpo de Cristo foi lavado depois de ser retirado da cruz, por isso o ritual das pessoas.
O nosso almoço foi húmus, pra quem não sabe é talvez o prato mais típico deles, uma pasta feita com grão-de-bico que se come com pão árabe. Delicioso!
A vista do teto do hospital
Depois do almoço, conforme eu tinha combinado com o Kais, ele nos levou pra fazer compras de souvenirs e presentes pra família e teve que nos deixar por causa de um compromisso dele. Combinamos de nos encontrar no fim do dia pro nosso último destino, Belém, onde Cristo nasceu.
No restaurante do melhor húmus de Jerusalém
Ficamos então com umas horas livres só eu a Lica e o Ale, fomos tirar umas fotos pela cidade, no bairro judeu e no monte das oliveiras. Nos despedimos da Lica que ela ia no outro dia pra Jordânia, que quase foi o meu próximo destino mas… Enquanto eu estava em Israel as notícias de que o Egito estava calmo depois da queda do governo me fez repensar se não seria possível fazer a minha tão sonhada visita às pirâmides e decidi que iria tentar.
Iria pra Eilat no sul de Israel e fronteira com o Egito e a Jordânia, iria fazer uma última tentativa de pedir o visto pro Egito, se fosse negado cruzaria a fronteira pra Jordânia pra visitar Petra. Nessas conversas o Alexandre decidiu me acompanhar rumo ao Cairo!
Mas antes, já sem a Lica, fomos à Belém eu, o Ale e o Kais. Conhecer o local onde Jesus nasceu e também o muro que Israel está construindo entre eles e a Palestina.
Na volta deixamos mais um amigo pra trás, e nos despedimos do Kais.
Era nosso último dia em Jerusalém, no outro dia estaríamos de partida pra Eilat.
Belém e o muro entre Israel e Palestina
O Local onde Cristo nasceu
A estrela de prata marca o local exato onde Jesus nasceu

O muro à noite
Rumo ao Egito ou Jordânia? Não sabíamos mas com certeza muita coisa interessante ainda estava por vir…
A parte do Egito vou contar no próximo post ok? Então até a próxima!

Fotos da Viagem:
Jerusalém e Palestina